Galera, tem novo post no Circulando.
Acessem o novo endereço, www.cirulando.tur.br
Abraços
Galera, chegamos faz 5 dias e estamos na loucura dos primeiros dias, no máximo até quinta-feira eu atualizarei vocês com diversos causos e, é claro, com muitas fotos.
Lembrando que migramos o blog para o endereço www.circulando.tur.br Ainda estamos ajustando os últimos detalhes, mas a partir de agora os textos serão publicados somente por lá.
Aguardem que já temos algumas boas histórias para contar.
Um grande abraço
Marcão e Ari
Diário de bordo Final Trip:
Ohhh Paris. Que cidade bela, tudo o que falam sobre a capital da França se materializou diante de nós assim que tocamos seu solo. Elegante, vibrante, sensual, histórica e romântica. No nosso caso não tão romântica , o dia em Paris foi uma viagem de amigos, fomos ciceroneados pelo casal Mapuche e Orell.
Como tivemos dois guias com um francês mais do que fluente, não sentimos a tão falada antipatia dos franceses com turistas que não falam a língua local, ou melhor, que falam inglês. Nossa vida foi fácil, só não foi fácil sentar em um bistrô e pagar 5 euros por um café, definitivamente não pagamos apenas o café, no preço estava incluído o glamour de toma-lo em um dos lugares mais requintados do mundo.
Paris entrou no rol das cidades que teremos que repetir, impossível conhece-la em um dia, isso não quer dizer que nossa curta estada tenha sido ruim. Conhecemos os tradicionais Arco do Triunfo, Champs Elisées, com direito a pizza e cerveja nos Jardins de Luxemburgo, contemplamos a magnifica Torre Eiffel, passamos pela imponente Catedral de Notre Dame e por fim passamos pelo gigantesco Louvre. Imagino ser totalmente desnecessário descrever todos esses lugares, tão famosos e citados por ai, desculpem o chavão, mas seria chover no molhado.
Visando fugir um pouco do senso comum, citarei duas experiências na cidade luz, a primeira, naturalmente, remete ao romantismo, até então afastado de nós. Uma das muitas pontes que corta o delicioso rio Sena, é um local que eu indico para todos os namorados, amantes, casados, enfim todos que estejam acompanhados de um grande amor. Pont des Arts, uma simpática ponte de metal onde os casais cravam cadeados em sua estrutura e jogam a chave no rio, como se declarassem que ali o amor entre eles foi selado e eternizado.
A segunda experiência é na verdade um conjunto de fatos que poderíamos colocar no arcabouço chamado vida noturna. Assim que a noite caiu ficamos de bar em bar na região de Saint Michael:
Nossa primeira parada foi em um bar que aqui no Brasil chamaríamos de boteco, mesas na calçada e um chopp que de tão grande seria apropriado para o “pequeno” Obelix se acompanhado de um suculento javali, obviamente. Depois paramos em um com música eletrônica, com direito a paquitos e paquitas dançando no meio da rua e chamando os transeuntes para adentrarem o bar. O essencial pit stop para rechear o estomago em um kebab e fazer com que aguentássemos mais uma cerveja na rua, em frente a uma igreja – ai meu Deus que heresia – e que por fim chegássemos a uma espetacular jam session em uma Cava.
Essa passagem por Paris apesar de breve foi a entrada do prato principal que um dia apreciaremos com calma, sentindo todo os temperos e sabores que ela tem.
Por fim voltamos andando até nosso carro e partimos para pacata e minúscula Saint Amand em Puisaye, totalmente o oposto da metrópole que passamos o dia, porém me arrisco a dizer que é tão deliciosa quanto.
Aguardem…
Final Trip – Destinos anteriores:
Marco Estrella
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E na Estrada do Alento, inicia-se uma viagem a um lugar que foge do comum onde o usual torna-se banal e o fantástico vira real.
Nesse final de semana fomos visitar uma figura única, pessoa que acima do amor ou do ódio é interessante, boa de ouvir, um verdadeiro contador de histórias. A unicidade e o exagero, desse personagem, geram uma caricatura diante dos nossos olhos.
Quando chegamos ao sitio já percebemos grandes mudanças, onde existia uma casa, agora tem três, uma ponte por cima de um incipiente lago – que também não existia – e um quiosque quase finalizado deixaram o grandioso gramado mais belo, um cenário bem diferente do que conhecemos há 2 anos atrás. Isso pode parecer normal, mas estamos falando de um homem de 72 anos que construiu tudo isso com a ajuda de apenas uma pessoa.
Desde o primeiro minuto escutamos histórias fantásticas, que muitos dificilmente acreditariam serem reais: histórias de guerra, espionagem, viagens, tantas experiências que aquele ouvinte reticente imaginaria serem necessárias algumas encarnações para dizer que pertencem a apenas um homem. Mas acredito que esse ceticismo e desconfiança em relação ao extraordinário faz com que nossas vidas tornem-se pragmáticas, sem calor e lineares.
Após muito ouvir foi inevitável não lembrar de Edward Bloom, personagem do delicioso filme “Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas”, dirigido por Tim Burton, onde a tônica recai exatamente sobre essa questão de colocar um pouco mais de tempero na história, misturando fatos reais com um pouco de ficção. Diferentemente de Will, filho de Edward que durante grande parte da sua vida duvidou da veracidade do que lhe era contado e no funeral do seu pai deparou-se com diversos personagens das histórias, prefiro não desacreditar naquilo que nos foi dito, priorizo sim viajar nos causos sem pensar e nem sentir o tempo passar.
Não revelarei o nome ou detalharei as histórias desse personagem que atualmente não tem pátria, nem passaporte, que trocou as frentes de batalha e as missões da CIA por uma vida reclusa em um sitio no interior paulista e deixo a mente de vocês livres para voar.
Será que ele existe ou é fruto da minha imaginação?
Um dia eu conto…
Marco Estrella
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Diário de bordo Final Trip:
Sabe aquela expressão todos os caminhos levam a Roma?
Procurando nosso Hotel experimentamos mais uma situação diferente, alguns dos prédios da movimentada Via Nazionale possuem vários hotéis em um único prédio, cada um em um andar, foi difícil mas encontramos. Hotel simples, sem muito requinte mas tinha o necessário para a nossa relação com ele, apenas uma boa cama para dormir.
Passado o susto inicial e após boas horas de sono, partimos para mais uma maratona, tentar conhecer Roma em um dia. Obvio que sabíamos ser impossível atingir tal objetivo, mas graças a dicas valiosas de uma amiga italiana, saímos com o roteiro todo definido para não perdermos tempo.
Cansaço, fome e avião para Paris logo cedo, fez com que fossemos para “casa”, porém antes tínhamos que experimentar a pizza italiana e finalmente pudemos comprovar aquilo que sempre ouvimos. A melhor pizza do mundo é a paulistana!
Saímos do hotel as 04:30 da matina e fomos em direção a estação Termini para pegarmos o ônibus até o aeroporto de Ciampino. Informações desencontradas, italianos mal humorados e a escuridão acrescentaram emoção ao final da nossa estada em solo romano, mas o final feliz fez-se presente.
Tudo certo, próxima parada:
Cidade Luz
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Marco Estrella
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Cá estou para contar a passagem por Ubatuba e Paraty.Nossa ansiedade em relação à Austrália é tanta que estamos tentamos nos aclimatizar ao “novo ambiente”: PRAIA !!!
Saímos no final da tarde e apesar de ser apenas o terceiro dia do ano nos deparamos com a situação caótica que toma conta de São Paulo no verão: chuva, ruas alagadas, congestionamento e stress para todos os lados. Durante todo o caminho São Pedro fez-se presente e deixou o percurso encharcado, somado com a neblina e com a famosa serra de Taubaté, podemos dizer nosso trajeto foi no mínimo emocionante. Ainda bem que nosso amigo Jairo demonstrou paciência e nos levou em segurança para nossa casa.
Ubatuba foi aquela maravilha de sempre, família, praia e cama. Relaxar foi à palavra de ordem. Não vou escrever sobre essa rápida passagem por Ubatuba, pois esse paraíso merece um post especial, afinal são mais de 80 praias, outras tantas ilhas, dezenas de cachoeiras e milhares de histórias para serem contadas.
Vamos falar sobre Paraty, minha nova paixão. Lugarzinho estonteante, beleza impar, com um patrimônio histórico preservadíssimo, além de possuir uma cena cultural interessante demais.
Fomos para a casa de um casal de amigos nossos – Flavia e Sérgio – que recentemente decidiram largar o caos paulistano e ter uma vida com um pouco mais de qualidade. Amigos, cerveja, cachoeira, piscina, novas amigas argentinas, mas dessa vez não seremos nós que contaremos sobre essa viagem, passo a bola para meu amigo Sérgio:
Paraty
Só senti esta sensação em dois lugares, Jerusalém e Paraty, não que tenha viajado o mundo todo, mas ter uma sensação de viajar no tempo e curtir isso da mesma forma foi sensacional.
O centro histórico de Paraty exala cultura e história, considerado pela UNESCO o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso do Brasil, cada esquina com seus simbolismos maçônicos e portugueses, alguns ainda mantidos restaurados como as eiras e beiras dos telhados das casas dando origem a expressão “sem eira nem beira”.
Mas nem só de cultura vivemos em Paraty, a diversão é garantida em seu conjunto de cachoeiras, em especial a do Tobogã no bairro do Penha, na estrada em direção à Cunha, onde se pratica o Surf na pedra. Alguns moradores locais entre eles o “Tigrão” que cuida da entrada da cachoeira nos mostrou um pouco das manobras e peripécias do esporte, inclusive foi campeão do campeonato de surf na pedra que ocorre anualmente em meados de setembro. Os mais novos não ficam atrás, Welington é a prova disso.
Não podemos deixar de lembrar o histórico de Paraty sobre a cachaça, ainda produzida de maneira artesanal e já teve mais de 100 engenhos de cana. Um que se manteve fabricando cachaça artesanal há muitos anos é o Engenho d’Ouro em frente à cachoeira do tobogã. Pudemos experimentar diversas cachaças: pura; com folha de tangerina (a “azul”); curtida no carvalho; curtida no jequitibá; com melaço de cana e a Gabriela (com melaço, cravo e canela). A propósito Marcello Mastroianni se apaixonou por gabriela nas terras de Paraty… No alambique pudemos ver o monjolo funcionando em uma casa de pau-a-pique além da roda d’agua que movimenta o moedor de cana até hoje.
Mas o mais prazeroso de tudo isso é poder estar com os amigos curtindo uma cerveja na beira da piscina sendo senhor do tempo e não um escravo dele.
Sergio
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Após as festas, comidas, bebidas e ressacas, 2011 começa. Acelerado, voando, mas com boas notícias.
Meu visto foi aprovado e agora não há mais impedimentos para nossa viagem para Austrália. O mais incrível foi que recebi essa maravilhosa noticia, de frente para o mar, sob um sol escaldante, tomando uma cerveja geladíssima e acompanhado de grandes amigos. Nada mais pertinente, não é?
Aguardem que nos próximos dias, contaremos sobre nossa viagem para Ubatuba e Paraty, além de continuarmos as histórias da nossa Final Trip.
Infelizmente não posso me alongar, pois meu notebook quebrou e preciso urgentemente adquirir um novo instrumento de trabalho. Mas antes de partir trago uma outra boa novidade:
Agora vocês podem acessar o Circulando, através do endereço:
Que venha 2011…
Marco Estrella
Bella Venezia!
Sim! Chegamos em Veneza!
Mas, sem pular etapas, vamos à nossa viagem de trem. Foi a primeira que fizemos, e escolhemos sair às 23 hs para dormir durante o percurso, economizar um dia de hostel e chegar em Veneza cedo para aproveitar o dia. Teríamos dormido o percurso inteiro – 8 horas – se não tivessemos que dividir o vagão e se não tivessem três paradas para controle de passaporte de cada país (Croácia, Eslovênia e Itália).
Diário de bordo Final Trip:
Saímos do trem, achamos um guarda-volumes do lado do terminal de ônibus e começamos a caminhada. Assim que se atravessa a Ponte delgi Scalzi os carros são banidos, nossos pés seriam nosso único meio de locomoção. Atenção para não esbarrar em alguém, afinal, o verão atrai turistas do mundo inteiro para essa charmosa e romântica cidade.
No começo tentávamos seguir o mapa, mas após meia hora guardamos no bolso e nos deixamos levar pelo feeling. A cada passo surgiam canais*, prédios antigos com sacadas convidativas, restaurantes e sorveterias. Ao virar as esquinas, ou melhor, corredores, víamos placas que nos guiariam pelo labrinto até a Piazza San Marco. Chegamos na praça que parece um respiro por ser uma área ampla e espaçosa, mas com certeza a multidão diminuiu essa sensação, confesso que ficamos horrorizados com pessoas deixando pombas escalarem seus corpos, não sei se é superstição, pagamento de promessa ou algo do tipo, mas definitivamente não fizemos o mesmo!
*Não, os canais não cheiram mal! Nem um pouquinho…
Haviam longas filas para entrar nas principais “atrações”, por isso deixamos o Palazzo Ducale e o Campanile para a próxima, focamos na Basilica San Marco. Para descrevê-la em uma palavra apenas escolho deslumbrante. Os olhos se esbanjavam com cada pedaço de suas paredes com mosaicos, ouro, bronze e pedras. Sem contar a fachada que mistura a riqueza da arte bizantina com o estilo gótico, ficar na fila não é nada doloroso quando pode-se descobrir detalhes a cada centímetro observado.
Caminhamos por toda a cidade, inclusive bairros afastados que nos mostraram a Veneza dos “locais”, menos glamurosos, mas ainda bela. Muitas vezes terminando em becos sem saída, bloqueios de água surgiam a todo momento e como não tínhamos grana para gastar, 80 euros/pessoa por um passeio de gôndola, dávamos meia volta e tentávamos outro caminho.
Quando a fome bateu fugimos dos pratos quentes (de quente bastava o dia, 35 graus na sombra), entramos em uma pequena mercearia e compramos azeitonas, o magnífico presunto de parma e cerveja Moretti. Sentamos em uma ponte menos movimentada e nos deliciamos!
Voltamos para a estação de trem também seguindo placas pelo labirinto, parecia até uma caça ao tesouro com mais descobertas pelo caminho. Pegamos as coisas e entramos no ônibus em direção ao aeroporto satisfeitíssimos, rodamos a cidade inteira em um dia!
Próxima parada: ROMA
Abraços.
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Arianne Thrall
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Nada mais natural do que a transgressão de alguns pecados capitais durante as festas de final de ano, comida, bebida, baladas e consequentemente ressaca, os primeiros dias do ano tornam-se lentos, preguiçosos, nota 5. Pois é…
Diário de bordo Final Trip:
Após as maravilhas do dia anterior fomos para beira da estrada aguardar o ônibus para Zagreb. Durante nossa espera, recebemos a visita do dono da Guest House, ele trouxe dois donuts e alguns sticks salgados, hospitalidade natural após uma noite tomando vinho e conversando sobre todos os assuntos possíveis, viagens, futebol, Brasil, mas quando toquei no tópico Guerra, o clima pesou, logo mudei o rumo da prosa e assim continuamos noite adentro.
Naturalmente ficamos com medo de perder o ônibus, digamos que nosso croata ainda não estava perfeito, demos sinal duas vezes errado, na terceira vez acertamos e fomos. O motorista e o ajudante não falavam inglês então mais uma vez apelamos para a linguagem dos sinais. Tudo certo.
Logo que chegamos, fomos para estação de trem, de onde partiríamos para Veneza, colocamos nossas malas em um guarda volume e fomos entender o que deveríamos conhecer. O centro de informações turísticas nos deu um mapa, com as principais atrações turísticas. Conhecemos tudo que nos foi indicado em apenas 2 horas e nada nos deixou muito empolgados e ainda nos restava 8 horas até nosso trem que partiria as 23:00.
É importante lembrar que era domingo de um verão maravilhoso, ou seja, tudo fechado, cidade vazia e um sol forte, tudo isso somado aos mais de 10km de caminhada do dia anterior fez com a classificação de Zagreb seja mediana. Bonitinha, caso fosse o primeiro rolê na Europa com certeza acharíamos graça, mas após tantas…
Barrigas roncando e pouca vontade de procurar algo bacana nos levou ao Mcdonalds, ai tivemos uma boa surpresa, ao invés de nuggets os caras vendem camarão empanado. Dá pra acreditar nisso? Espetacular! Calma isso não torna Zagreb um destino essencial.
Gastamos mais 1 hora do nosso tempo, e agora o que fazer?
a) Encarar o sol e tentar achar algo bacana
b) Dormir no chão da estação de trem
c) Tomar uma cerveja e esperar
Elementar meu caro Watson. Sol, preguiça e cerveja combinam muito bem não é?
Tomamos, muitas Karlovackos e conversamos sobre o que curtimos até aquele momento e apesar de faltarem ainda 9 dias e mais 3 paises o sentimento de dever cumprido já se fazia presente.
Como disse no começo do post, Zagreb foi como a ressaca de ano novo, lenta, preguiçosa, na média, mas a próxima parada promete.
Ohhh Veneza
Abraços e até já.
Final Trip – Destinos anteriores:
Marco Estrella
PS: Tudo tão lento que esqueci de falar de uma das partes que gostamos mais, os Graffitis de Zagreb no caminho entre a rodoviária e a estação de trem.
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O último post do ano será sobre uma região próxima de onde nasci, trata-se de um lugar especial porque une “em conceito” os dois lugares mais importantes de 2010 (São Paulo e Londres – não necessariamente nesta ordem).
Nada melhor do que chegar a uma vila inglesa com o clima nos provocando a crer que estávamos diante do fog (neblina) britânico. Sim, esta neblina podia parecer um toque triste, afinal não tínhamos o céu de brigadeiro prometido pelos homens do tempo, mas deu o tom perfeito para a viagem a Paranapiacaba.
Esse distrito – uma vila – faz parte da cidade de Santo André (ABC – Grande São Paulo) e foi construída para abrigar os trabalhadores da São Paulo Railway, empresa inglesa responsável pela construção e exploração da ferrovia Santos – Jundiaí.
O lugar pode gerar sentimentos conflitantes:
1. deslumbramento natural: uma vila encravada no alto da Serra do Mar, cercada de mata Atlântica, com sua estação de trem e casas do século 19.
2. descaso e abandono crônicos: das autoridades com o patrimônio histórico e cultural do nosso país.
E, infelizmente o que poderia ser uma viagem no tempo – cheia de beleza e charme – nos fez também refletir sobre o abandono.
Chegamos na parte alta da vila, paramos o carro na frente do cemitério e fomos em direção à estação, inicialmente chamada de Estação Alto da Serra, com seu imponente relógio Johnny Walker Benson, vindo direto de Londres. O caminho é encantador , ladeiras de paralelepípedo, casas coloridas e vielas forneceram um ar diferente do que esperávamos da vila inglesa, só depois soubemos que as ruas estreitas com casas incrustadas no morro, sem um padrão de construção definido é conhecida como a parte portuguesa de Paranapiacaba. Nada mais brasileiro, não é?
Tentamos entrar na antiga estação, mas estava fechada. Nenhum aviso, nem funcionários para dar explicações. Ficamos um pouco indignados – é verdade – afinal não conseguir entrar no lugar que foi o principal motivo para a fundação da vila de Paranapiacaba, é realmente e sem trocadilhos o fim da picada.
Percebemos que as descobertas seriam por nossa conta, desbravando o local. Atravessamos a ponte e começamos a sentir o ar inglês e por uma incrivel coincidência, a neblina intensificou sua aparição e veio ser peça importantíssima na viagem no tempo e juntamente com os galpões abandonados, casas em ruínas e trens destruidos pela ferrugem, criaram um cenário mágico.
Fomos em direção à sede do clube Lyra-Serrano, edificio da década de 1930. Tivemos uma experiência incrível: dois garotos sairam correndo pela porta da frente e praticamente nos convidaram para entrar. Os meninos cantavam e sem trocar palavras sabíamos para onde devíamos caminhar – ouvindo as vozes – por cômodos escuros, vazios e ainda com cheiro de tinta*. Devo falar também do repertório dos garotos que lembrava algum canção antiga, uma moda de viola.
*o clube está sendo restaurado.
Quando saimos do clube fomos surpreendidos por uma chuva intensa, aproveitamos para lembrar de um ditado: saco vazio não para em pé e caminhamos em direção à lanchonete no largo dos padeiros, antes de chegar no lugar, um homem, na verdade, um anjo da guarda nos indicou uma casinha, chamada Castelinho. O que nós encontramos neste lugar de gente e comida caseira simples foi um banquete com arroz, feijão, carne seca e uma linguiça com abóbora feita por uma fada envergonhada e talentosa chamada Lourdes.
Após o banquete da Dna. Lourdes fizemos o caminho de volta e dois pensamentos não saiam da minha cabeça: demorei demais para conhecer esse pedacinho de Inglaterra com sotaque português, mas minha demora só não foi maior do que a minha indignação com as autoridades responsáveis pela conservação desse patrimonio subexplorado, maltratado, mas ainda belo.
Este post funciona quase como um pedido: restaurem a Vila Inglesa, promovam eventos e façam com que as pessoas visitem esse pedacinho da terra da Rainha em terras brasileiras. God save the Queen & Paranapiacaba!
Feliz 2011 para todos vocês…
Um forte abraço
Marco Estrella
PS: Em 2011 terminarei os posts sobre nossa Final Trip. Próxima parada Zagreb.
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